Quer Pipoca?: Jogos Vorazes (2012)

3 de abril de 2012

Jogos Vorazes (2012)

(The Hunger Games) Estados Unidos, 2012
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Num futuro distante, boa parte da população é controlada por um regime totalitário, que relembra esse domínio realizando um evento anual - e mortal - entre os 12 distritos sob sua tutela. Para salvar sua irmã caçula, a jovem Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) se oferece como voluntária para representar seu distrito na competição e acaba contando, com a companhia de Peeta Melark (Josh Hutcherson), desafiando não só o sistema dominante, mas também a força dos outros oponentes.
Fonte: Adoro Cinema




CRÍTICA
Vale a pena assistir de novo

Na história do cinema de ação, algumas cenas se repetem. Mudam-se personagens, contexto, figurino, cenário, e muitas vezes, até a trilha sonora, mas a essência está ali. Sem revelar pontos importantes do enredo, é o que acontece por exemplo em uma das mortes mais tocantes em "Jogos Vorazes". A cena funciona bem. Muito bem. E emociona os fãs que trazem a carga emocional do livro. Ainda assim, não deixa de ser um remake de um remake de um remake de alguma cena emocionante de algum outro filme de ação já visto. Talvez esse seja o principal motivo para continuarmos quase apáticos à violência que é foco da narrativa. As mortes, parte essencial do desenvolvimento da história, não envolvem emocionalmente o espectador. É por conta disso que o filme consegue com maestria envolver o público em uma outra história, um pouco menor: a da protagonista Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence). Essa história individual também deriva do clichê do "mártir/herói por acaso" usado por tantas outras histórias (atuais inclusive), como "Harry Potter", "Homem-Aranha" ou "As Crônicas de Nárnia". Já o destino a que Katniss é entregue, bebe de outras fontes; um gênero mais denso, que tem como seu principal expoente "Jogos Mortais" (cujos produtores também foram responsáveis por "Jogos Vorazes").

Referências à parte, o filme tem seus méritos. Ser uma adaptação de um livro de sucesso refletiu nas bilheterias, tendo a terceira maior estreia do cinema, só ficando atrás de "Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2" e "Batman - O Cavaleiro das Trevas", ambos da Warner. A convincente atuação de Jennifer Lawrence é o fio condutor do longa, junto de seu parceiro, Josh Hutcherson, que apesar de alguns deslizes na interpretação, dá vida e brilho a Peeta Mellark, o segundo competidor pelo Distrito 12. O enredo, por si só já abre possibilidades interessantíssimas: doze distritos comandados por uma cidade com regime totalitário participam anualmente - através de 24 jovens de 12 a 18 anos - de uma competição sanguinária que termina com 1 vencedor e 23 mortos, destinada unicamente a reforçar o domínio da Capital sobre os Distritos e inibir revoltas e rebeliões. Tudo isso é ainda um reality show na TV. Quantas reflexões não poderiam sair desse simples ponto? Ainda assim, é a história de Katniss que conduz o espectador.

A população da Capital, ávida por assistir de camarote ao banho de sangue, também cria um estilo único. Com aspectos futuristas e muitas cores, sua maquiagem e figurino transmitem um androgenismo quase explícito, e é o que desperta o afastamento ilusório entre o público dos Jogos e o público na sala de cinema. É com asco que se vê o quão bizarro e cruel é a satisfação do povo da Capital em ver 23 mortes anuais. Mas as cores gritantes tornam o fato tão caricato que pode-se considerar uma aproximação real (cabidas as devidas proporções) com quem assiste à violência nos noticiários como fatos quase banais. São essas pequenas jogadas técnicas que fazem o filme funcionar. Mas não há tempo para se perder pensando nisso. Com câmera na mão e planos bem fechados na maior parte do tempo, o ritmo é acelerado e em alguns poucos momentos confuso e irritante. Um balanço mais equilibrado entre planos e movimentos de câmera auxiliaria a fluidez, que tem lá seus próprios entraves. A preparação para os Jogos em si é um tanto prolongada e cria uma expectativa de proporções tão épicas que a realidade mais crua e bruta da competição acaba não fazendo jus. São abordagens bem diferentes e que não se conversam tão amigavelmente.

A trama deixa muitos pontos abertos para serem resolvidos nas continuações e perguntas no ar. Será que a paixão que surge nos Jogos é de verdade? Qual a real importância do rapaz deixado no Distrito 12? O que a mãe de Katniss fez de tão errado? Essas e outras questões ficam sem resposta para quem não leu os livros, revelando um dos principais pontos falhos da adaptação para as telonas. As relações são abordadas superficialmente e isso não permite envolvimento suficiente nem para que um não-fã chore a morte de uma criança cativante. O rimo é frenético, mas essa falta de envolvimento dá a sensação de que é um filme demasiadamente prolongado, sem necessidade.

Mesmo com todas as pequenas pontas soltas, "Jogos Vorazes" é esteticamente bem-feito e entretem com sucesso um público carente de bons filmes. Ainda que apoiado em clichês, vale a pena assistir de novo.






































2 comentários:

  1. I just love it! Jogos Vorazes, com certeza merece ser visto de novo.

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    1. Umas 5 vezes, de preferência, né, Allan? rs

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