Quer Pipoca?

13 de julho de 2012

Três Vezes Amor (2008)

(Definitely, Maybe) Estados Unidos / França, 2008
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O Assesor político Will Hayes (Ryan Reynolds) vive em Mahattan com sua curiosa filha Maya que, mesmo com o seus inexperientes 10 anos de vida, resolve questioná-lo a respeito da sua vida amorosa. O momento para jogar o pai contra a parede não poderia ser mais propício: ele está se divorciando e quer reavaliar a vida. E Maya insiste em saber detalhadamente como os pais se conheceram e se apaixonaram. Will não se sente nem um pouco intimidado e começa a descrever três de seus relacionametos passados, dando detalhes de cada umas das mulheres. Mas, propositalmente, ele troca os nomes dessafiando a filha a descobrir com qual ele se casou. À medida que Maya começa a juntar as peças desse verdadeiro quebra-cabeça, ela ajuda o pai a entender que existe a possibilidade de um final feliz. Mesmo assim aprende que o amor não é tão simples quanto parece.
Fonte: Interfilmes



9 de julho de 2012

Para Roma Com Amor (2012)

(To Rome With Love) Estados Unidos / Itália / Espanha, 2012
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O longa é dividido em quatro segmentos. Em um deles, um casal americano (Woody Allen e Judy Davis) viajam para Roma para conhecer a família do noivo de sua filha. Outra história envolve Leopoldo (Roberto Benigni), um homem comum que é confundido com uma estrela de cinema. Um terceiro episódio retrata um arquiteto da Califórnia (Alec Baldwin) que visita a Itália com um grupo de amigos. Por último, temos dois jovens recém-casados que se perdem pelas confusas ruas de Roma.
Fonte: Adoro Cinema



CRÍTICA
Novela brasileira bem-feita por norte-americanos na Itália

O novo filme de Woody Allen chegou com uma missão dupla: surpreender por si só e superar "Meia-Noite em Paris", que não passou de "divertidinho. E não é que a cidade italiana tem muito mais charme do que a capital francesa? "Para Roma Com Amor", além de mostrar belas imagens da cidade fora do eixo turístico, traz quatro complexos e belíssimos enredos diferentes, que marcam bem a mistura de sensações, linguagem e elementos italianos e norte-americanos e tudo que os compõe.

O clima histórico da Itália expresso em pequenas vielas, arquitetura característica impõe o clima romântico que permeia os olhares das personagens sobre a cidade. Mas como outros filmes que também vêm da terra do tio Sam, despontam diversos "americanismos"aqui e ali, e esse choque traz divertidos momentos como a viagem de avião da personagem representada pelo próprio Woody Allen. Ele, aliás, é um tempero essencial para que essa massa seja "buona da mangiare". Em alguns momentos, Allen parece ter se inspirado em Roberto Gomes Bolaños e o humor ingênuo de seu Chaves, utilizando pitadas de humor pastelão no meio de outras sacadas mais adultas.

São tantas histórias entrelaçadas que fica difícil de definir exatamente a mensagem que o filme quer trazer, um pouco mais como as novelas brasileiras do que como filmes hollywoodianos. E quando ele termina, o sentimento também é de último capítulo de novela; mesmo imaginando o que pode acontecer com cada personagem, o público anseia por ver os desfechos individuais e ainda se surpreende com alguns deles. Mas no final desse longa, o título faz mais sentido por ter menos pretensão que os dos folhetins nacionais. "Para Roma Com Amor"não passa de uma declaração de amor à Roma e suas histórias, e nem por isso deixa de ser bom.

A novela: uma turista norte-americana esbarra em um italiano em um dia comum, eles se apaixonam e resolvem ficar juntos, mas são a desculpa para unir os pais (um produtor musical frustrado, uma psiquiatra, uma dona de casa e um agente funerário que é um ótimo cantor de ópera de chuveiro). Um famoso arquiteto encontra, em suas férias pela Itália, um jovem estudante de arquitetura e admirador de seu trabalho que mora na mesma casa que ele mesmo morou anos antes. O jovem e sua namorada recebem uma sedutora amiga dela em sua casa. O arquiteto serve de guru amoroso e camarada mais velho para que o jovem não se envolva com essa tentação em forma de mulher. Um casal vem de uma cidadezinha da Itália para um encontro em Roma, que pode garantir um emprego ao rapaz e a estadia de ambos na cidade. Ao sair para procurar um cabeleireiro, a moça se perde e acaba se envolvendo com estrelas de cinema. Já o rapaz, que era esperado por seus tios para o encontro, é encontrado de cueca no quarto com uma prostituta que o confundiu com um cliente e isso os obrigam a fingir serem um casal. Um cidadão italiano comum é confundido com um astro de cinema e vê sua vida e de sua família virar de cabeça pra baixo, sendo obrigado a despistar paparazzi e dar entrevistas sem sentido ou conteúdo a todo momento.

Sob toda esfera divertida, também são questionados (mas ainda de maneira leve) alguns valores da sociedade atual, como a criação de celebridades, a traição, o envolvimento e desprendimento, o fracasso, o talento escondido, o amor por acaso... Um mix cultural que talvez só Roma possa proporcionar. Uma Roma para ser apreciada a dois.

28 de maio de 2012

Água para Elefantes (2011)

(Water for Elephants) Estados Unidos, 2011
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Jacob Jankowski (Hal Holbrook) já passou dos 90 anos e não consegue esquecer seus momentos da juventude nos anos 30, período difícil da economia americana, que o levou a trabalhar num circo. Foi lá, enquanto era jovem (Robert Pattinson) e um ex estudante de Veterinária, que ele conheceu a brutalidade dos homens com seus pares e também com os animais, mas encontrou a mulher por quem se apaixonou. Marlena (Reese Whiterspoon) era a Encantora dos Cavalos, a principal atração e esposa do dono do circo: August (Christoph Waltz) um homem carismático, mas extremamente perigoso quando suas duas paixões estavam em jogo.
Fonte: Adoro Cinema


15 de maio de 2012

Os Vingadores - The Avengers (2012)

(The Avengers) Estados Unidos, 2012
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Loki (Tom Hiddleston) retorna à Terra enviado pelos chitauri, uma raça alienígena que pretende dominar os humanos. Com a promessa de que será o soberano do planeta, ele rouba o cubo mágico dentro de instalações da S.H.I.E.L.D. e, com isso, adquire grandes poderes. Loki os usa para controlar o dr. Erik Selvig (Stellan Skarsgard) e Clint Barton/Gavião Arqueiro (Jeremy Renner), que passam a trabalhar para ele. No intuito de contê-los, Nick Fury (Samuel L. Jackson) convoca um grupo de pessoas com grandes habilidades, mas que jamais haviam trabalhado juntas: Tony Stark/Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), Steve Rogers/Capitão América (Chris Evans), Thor (Chris Hemsworth), Bruce Banner/Hulk (Mark Ruffalo) e Natasha Romanoff/Viúva Negra (Scarlett Johansson). Só que, apesar do grande perigo que a Terra corre, não é tão simples assim conter o ego e os interesses de cada um deles para que possam agir em grupo.
Fonte: AdoroCinema



CRÍTICA
Blockbuster de qualidade, com muita explosão e humor

Bum! Nenhuma outra onomatopeia definiria melhor o último blockbuster lançado dentro do chamado Universo Marvel. Já nos primeiros minutos, explosões, desmoronamentos e perseguição dão o tom que permeia as horas seguintes. Mas não é só de "kabum" que vive a investida cinematográfica da companhia de quadrinhos. Apesar da esfera grandiosa e high-tech, o humor sutil e sarcástico é herdado de "Homem de Ferro", e rende os melhores momentos em tela. Sem spoiler, um dos momentos mais memoráveis envolve Hulk, Loki e um "deus franzino". Lembre-se disso na hora de assistir para concordar comigo depois. Obviamente tudo faz mais sentido se você assistiu os anteriormente lançados "Hulk", "Capitão América - O Primeiro Vingador" e "Thor". Mas se você tem esse débito com Hollywood como eu e acabou se interessando só por Tony Stark e suas armaduras, ainda assim, dá pra acompanhar o desenrolar dos fatos.

Uma das coisas mais interessantes é que Os Vingadores não são a equipe de superherois mais integrada e unida que o mundo dos quadrinhos (e principalmente do cinema) já viu. Esse, aliás, é um dos trunfos do filme. A briga não é só contra os inimigos alienígenas que invadem (pasmem!) Nova Iorque por um portal intergaláctico para destruí-la. Ok, ok, a sinopse realmente é um pouco batida, mas com certeza rende uma boa  diversão... e uma certeza: Nova Iorque é o pior lugar do mundo pra se morar, especialmente a ilha de Manhattan. Tudo acontece por lá, todas as destruições. As torres gêmeas do World Trade Center não são o ícone de destruição pra essa pobre ilha. O Empire State Building, por exemplo, além de pára-raios gigante para o Thor em "Os Vingadores", já serviu no cinema, como portal para o Olimpo em "Percy Jackson e o Ladrão de Raios" ou palco de guerra para "King Kong", além de figurar em "Sintonia de Amor", "Independece Day" e outros. Aliás, já pensou no quanto custaria essa destruição toda? Ou seja, quer morrer com uma tragédia bem hollywoodiana, more em Manhattan e trabalhe no Empire State. Pronto!

Voltando ao filme em foco, alguns rostos já conhecidos retornam, como Gwyneth Paltrow dando vida a Pepper Potts em uma rápida (e divertida) aparição e Clark Gregg encarnando o agente Phil Coulson. Quando assistimos sequências e filmes interligados, é sempre confortador ver que os atores e atrizes foram mantidos. A ambientação fica muito mais propícia para aceitar ataques alienígenas e um homem virando um monstro verde, mas foi justamente o p´roprio Hulk que ganhou uma cara nova com Mark Ruffalo.

O roteiro em si acabou sendo o ponto mais falho da superprodução. Apesar de a trama fazer sentido e deixar uma brecha para sua continuação, o ritmo só parece acelerado pela ação ininterrupta. O espaço para o desenvolvimento da divertida relação entre os herois/aberrações é menor do que poderia ser. A relação, mesmo superficial, poderia ter sido um pouco mais aprofundada. Quando estamos começando a apreciá-la, ela já passou. Ver as encrencas entre Hulk e Thor, ou Homem de Ferro e Capitão América, por exemplo, com maior profundidade seria ainda mais hilário. E o ritmo acelerado acaba deixando uma ponta solta aqui, outra lá, como a escapada de Loki. Essa aliás é a personagem com mais pontas soltas no filme, não se entende bem porque o tão poderoso se rendeu tão facilmente ao Homem de Ferro na praça alemã se acabou de lutar tão ferozmente com o Capitão América segundos antes. Entende-se, mas não convence. Ainda assim, não é algo que prejudique o trabalho muito bem feito. Mesmo porque o roteiro tem ótimas sacadas, como a "segure-se, Legolas", que nem todo mundo na sala de cinema pareceu entender e os "interrogatórios" da Viúva Negra.

As explosões também transbordam para a fotografia do filme. Não tinha como ser diferente, tendo na paleta de cores o verde do Hulk, o azul do Capitão América, o vermelho do Homem de Ferro e por aí vai. Os movimentos de câmera, no ataque à cidade têm, em alguns momentos, o tom emocional dramático de videoreportagem, com desfoque e tremedeira (que carrega um "quê" de clichê).

No resumo da ópera, me restam dois pensamentos: "não quero morar em Nova Iorque" e "quando sai a continuação?".

24 de abril de 2012

Titanic (1997)

(Titanic) Estados Unidos, 1997 / 2012 (3D)
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Jack Dawson (Leonardo DiCaprio) é um jovem aventureiro que, na mesa de jogo, ganha uma passagem para a primeira viagem do transatlântico Titanic. Trata-se de um luxuoso e imponente navio, anunciado na época como inafundável, que parte para os Estados Unidos. Nele está também Rose DeWitt Bukater (Kate Winslet), a jovem noiva de Caledon Hockley (Billy Zane). Rose está descontente com sua vida, já que sente-se sufocada pelos costumes da elite e não ama Caledon. Entretanto, ela precisa se casar com ele para manter o bom nome da família, que está falida. Um dia, desesperada, Rose ameaça se atirar do Titanic, mas Jack consegue demovê-la da ideia. Pelo ato ele é convidado a jantar na primeira classe, onde começa a se tornar mais próximo de Rose. Logo eles se apaixonam, despertando a fúria de Caledon. A situação fica ainda mais complicada quando o Titanic se choca com um iceberg, provocando algo que ninguém imaginava ser possível: o naufrágio do navio.
Fonte: Adoro Cinema



CRÍTICA
A história de amor que continua navegando

Uma das mais lindas histórias de amor. Incluindo tudo que uma bela história de amor no cinema deve ter: amor proibido, diferença de mundos, tragédia, muita dor... mas dessa vez sem um final feliz porque, claro, o pano de fundo dessa história é o Titanic afundando, né? Mas tirando esse pequeno titânico detalhe, é uma história de amor clássica, com alguns clichês, claro, mas nada que tire o brilho nos olhos ao assistir novamente ao filme, e dessa vez em 3D. Esse talvez tenha sido um dos primeiros filmes que vi no cinema. E revê-lo, 15 anos depois, num momento totalmente diferente da vida, foi uma nova experiência. Entender o que de fato as pequenas nuâncias e sutilezas sugeriam, num filme forte e doce ao mesmo tempo, como a colocação do primeiro beijo do casal na proa do navio, ou o retorno para o local onde eles se conheceram no final do filme. É pra sair da sala de cinema ainda mais apaixonado pelo filme que tem 11 Oscars e a segunda maior bilheteria de todos os tempos no cinema, pouco mais de 2 bilhões de dólares, só perdendo para "Avatar" (quase U$ 2,8 bilhões), do mesmo diretor, James Cameron. Seu concorrente mais próximo, "Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2" de David Yates, não passa de U$ 1,4 bilhões.

O desenrolar do envolvimento entre Jack (Leonardo Di Caprio) e Rose (Kate Winslet) toma a maior parte da história, deixando os fatos históricos com apenas uma pequena porcentagem do tempo em tela. Mas é o suficiente. O desfecho, todos já sabemos antes de assistir, então porque não adicionar uma densa carga emocional para intensificar ainda mais a grandeza dessa tragédia... E intercalar tudo isso com a narração de uma doce senhora é no mínimo tocante.

Também é interessante voltar à viagem inaugural de Titanic tendo visto tantas outras atuações de Di Caprio e Winslet. Ele, em minha opinião, se sai muito melhor na versatilidade em tela, mas ela não fica muito atrás. Em 97, quando assisti ao Titanic afundar pela primeira vez, achei Leonardo Di Caprio muito fraco. Aquela babação de ovo em cima dele como ídolo adolescente e símbolo sexual ofuscava seu talento, que só consegui enxergar quando ele foi aos poucos se desvencilhando de Jack, até conseguir que eu babasse ovo pra ele em "A Origem", por exemplo. Trazer o Jack de volta à vida é revê-lo, reconhecê-lo como apaixonante. E aí sim apreciar a atuação de um ator que, mesmo precisando de algumas lapidações, já era intenso, leve e conseguia transmitir as emoções da personagem para o público. Meu chapéu para Di Caprio.

A experiência de rever um clássico quase bastava por si só. O atualmente tão aclamado 3D não tem tanta razão de ser assim. É mais interessante, temos mais perspectiva, mas basicamente adiciona um pouquinho de volume à imagem na maioria das cenas (mas confesso que em algumas foi absolutamente formidável). Devo dizer que ele é sutilmente e belissimamente aproveitado. O "boom" no preço dos ingressos para filmes 3D no Brasil é que ainda deixa a balança um pouco desequilibrada (ainda mais quando a sessão começa com 5 minutos iniciais de "Fúria de Titãs 2" antes do Cinemark notar o erro). Ainda assim, é uma ótima recomendação. Mas se você for assistir sozinho, lembre-se de levar chocolate. E talvez um lenço.

10 de abril de 2012

Cisne Negro (2011)

(Black Swan) Estados Unidos, 2011
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'Cisne Negro' é um thriller psicológico ambientado no mundo do balé da Cidade de Nova York. Natalie Portman interpreta uma bailarina de destaque que se encontra presa a uma teia de intrigas e competição com uma nova rival interpreta por Mila Kunis. Dirigido por Darren Aronofsky (O Lutador, Fonte da Vida), Cisne Negro faz uma viagem emocionante e às vezes aterrorizante à psique de uma jovem bailarina, cujo papel principal como a Rainha dos Cisnes acaba sendo uma peça fundamental para que ela se torne uma dançarina assustadoramente perfeita.
Fonte: Cine POP



3 de abril de 2012

Jogos Vorazes (2012)

(The Hunger Games) Estados Unidos, 2012
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Num futuro distante, boa parte da população é controlada por um regime totalitário, que relembra esse domínio realizando um evento anual - e mortal - entre os 12 distritos sob sua tutela. Para salvar sua irmã caçula, a jovem Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) se oferece como voluntária para representar seu distrito na competição e acaba contando, com a companhia de Peeta Melark (Josh Hutcherson), desafiando não só o sistema dominante, mas também a força dos outros oponentes.
Fonte: Adoro Cinema




CRÍTICA
Vale a pena assistir de novo

Na história do cinema de ação, algumas cenas se repetem. Mudam-se personagens, contexto, figurino, cenário, e muitas vezes, até a trilha sonora, mas a essência está ali. Sem revelar pontos importantes do enredo, é o que acontece por exemplo em uma das mortes mais tocantes em "Jogos Vorazes". A cena funciona bem. Muito bem. E emociona os fãs que trazem a carga emocional do livro. Ainda assim, não deixa de ser um remake de um remake de um remake de alguma cena emocionante de algum outro filme de ação já visto. Talvez esse seja o principal motivo para continuarmos quase apáticos à violência que é foco da narrativa. As mortes, parte essencial do desenvolvimento da história, não envolvem emocionalmente o espectador. É por conta disso que o filme consegue com maestria envolver o público em uma outra história, um pouco menor: a da protagonista Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence). Essa história individual também deriva do clichê do "mártir/herói por acaso" usado por tantas outras histórias (atuais inclusive), como "Harry Potter", "Homem-Aranha" ou "As Crônicas de Nárnia". Já o destino a que Katniss é entregue, bebe de outras fontes; um gênero mais denso, que tem como seu principal expoente "Jogos Mortais" (cujos produtores também foram responsáveis por "Jogos Vorazes").

Referências à parte, o filme tem seus méritos. Ser uma adaptação de um livro de sucesso refletiu nas bilheterias, tendo a terceira maior estreia do cinema, só ficando atrás de "Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2" e "Batman - O Cavaleiro das Trevas", ambos da Warner. A convincente atuação de Jennifer Lawrence é o fio condutor do longa, junto de seu parceiro, Josh Hutcherson, que apesar de alguns deslizes na interpretação, dá vida e brilho a Peeta Mellark, o segundo competidor pelo Distrito 12. O enredo, por si só já abre possibilidades interessantíssimas: doze distritos comandados por uma cidade com regime totalitário participam anualmente - através de 24 jovens de 12 a 18 anos - de uma competição sanguinária que termina com 1 vencedor e 23 mortos, destinada unicamente a reforçar o domínio da Capital sobre os Distritos e inibir revoltas e rebeliões. Tudo isso é ainda um reality show na TV. Quantas reflexões não poderiam sair desse simples ponto? Ainda assim, é a história de Katniss que conduz o espectador.

A população da Capital, ávida por assistir de camarote ao banho de sangue, também cria um estilo único. Com aspectos futuristas e muitas cores, sua maquiagem e figurino transmitem um androgenismo quase explícito, e é o que desperta o afastamento ilusório entre o público dos Jogos e o público na sala de cinema. É com asco que se vê o quão bizarro e cruel é a satisfação do povo da Capital em ver 23 mortes anuais. Mas as cores gritantes tornam o fato tão caricato que pode-se considerar uma aproximação real (cabidas as devidas proporções) com quem assiste à violência nos noticiários como fatos quase banais. São essas pequenas jogadas técnicas que fazem o filme funcionar. Mas não há tempo para se perder pensando nisso. Com câmera na mão e planos bem fechados na maior parte do tempo, o ritmo é acelerado e em alguns poucos momentos confuso e irritante. Um balanço mais equilibrado entre planos e movimentos de câmera auxiliaria a fluidez, que tem lá seus próprios entraves. A preparação para os Jogos em si é um tanto prolongada e cria uma expectativa de proporções tão épicas que a realidade mais crua e bruta da competição acaba não fazendo jus. São abordagens bem diferentes e que não se conversam tão amigavelmente.

A trama deixa muitos pontos abertos para serem resolvidos nas continuações e perguntas no ar. Será que a paixão que surge nos Jogos é de verdade? Qual a real importância do rapaz deixado no Distrito 12? O que a mãe de Katniss fez de tão errado? Essas e outras questões ficam sem resposta para quem não leu os livros, revelando um dos principais pontos falhos da adaptação para as telonas. As relações são abordadas superficialmente e isso não permite envolvimento suficiente nem para que um não-fã chore a morte de uma criança cativante. O rimo é frenético, mas essa falta de envolvimento dá a sensação de que é um filme demasiadamente prolongado, sem necessidade.

Mesmo com todas as pequenas pontas soltas, "Jogos Vorazes" é esteticamente bem-feito e entretem com sucesso um público carente de bons filmes. Ainda que apoiado em clichês, vale a pena assistir de novo.


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