Quer Pipoca?

8 de maio de 2014

Novo Trailer de Planeta dos Macacos: O Confronto

(Dawn of the Planet of the Apes) EUA, 2014

Muita emoção para uma Quinta-Feira. Saiu o trailer internacional de Planeta dos Macacos: O Confronto. Cesar e uma comunidade completa de macacos colidem com sobreviventes do vírus que não curtem deixar ninguém em paz. No site oficial (www.dawnofapes.com/#comic), uma graphic novel linda conta mais detalhes sobre a história. Filme estreia em 18 de Julho.

Yves Saint Laurent - Biografia Fascina Com Elenco Impecável

(Yves Saint Laurent) França, 2014


Biografia do gênio criativo Yves Saint Laurent, marcando o início de sua carreira, o desafio do lançamento da própria marca ao lado do parceiro de negócios e amante Pierre Bergé, até o reconhecimento mundial. 



O universo da moda definitivamente é uma ótima fonte de interessantes histórias para o cinema. 'Coco Antes de Chanel' (2009), 'Prêt-à-Porter' (1994), 'O Diabo Veste Prada' (2006) e documentários como 'The September Issue' (2009) e 'Valentino: The Last Emperor' (2008) retratam detalhes desta indústria, desde seus designers mais famosos até os veículos que os promovem e todo o Mise-en-scène por trás de um lançamento de coleção.

'Yves Saint Laurent' soma-se a este fascinante conjunto de filmes, elevando ainda mais o patamar das biografias já lançadas, ao juntar um roteiro bem amarrado, excelente fotografia (talvez um dos pontos mais fortes do filme) e um elenco impressionante. O filme mostra o protagonista, vivido por Pierre Niney, incrivelmente parecido com o estilista, transitando entre o início da carreira aos 25 anos, quando Yves Saint Laurent se torna diretor criativo da grife Dior, até seus anos de explosão criativa, tornando-se um marco da moda mundial. Yves Saint Laurent, inclusive, foi um dos primeiros estilistas a ter uma exposição solo no Metropolitan de NY. 

O contato com a indústria, do qual tinha dificuldades em lidar, preferindo isolar-se totalmente em seu processo criativo, também o aproximou de outros talentos como Karl Lagerfeld (Nikolai Kinski) e seu amante, e principal parceiro de negócios, Pierre Bergé (Guillaume Gallienne). É mostrando o jovem brilhante, que se tornaria um dos mais importantes estilistas do mundo, que o filme nos aproxima de um artista inseguro, maníaco depressivo e dono de uma força criativa incontrolável. Algumas das cenas mais interessantes são justamente quando o processo de desenvolvimento da obra do estilista é mostrado, ainda que rapidamente, em fluxos ininterruptos de rabiscos e croquis que iam dando forma às coleções mais marcantes de sua carreira, e que provavelmente você, querido pipoqueiro, deve ter tido contato em algum momento.

Sua rebeldia também se mostrava em seu relacionamento com Pierre, que ao longo dos anos assumiu o papel de âncora do jovem Yves, em seus momentos mais pesados do contato com drogas e traições constantes.

O filme pode não funcionar para todos os públicos, acredito que o ritmo possa incomodar algumas vezes, ficando apenas uma ressalva ao clímax do filme, que consegue, sabe-se lá como, ser emocionante e piegas. Música grandiosa com o estilista coberto em aplausos e holofotes, nada de novo aqui. Mas é impossível não se fascinar com um artista eternizado em sua obra, inovador e literalmente incapaz de viver sem produzir peças capazes de definir, não somente o que é a alta costura, mas também o significado de Estilo. 

7 de maio de 2014

Jurassic Park - Feminismo no Cinema.

(Jurassic Park) Estados Unidos, 1993
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Antes de Elsa (Frozen), Daenerys Targaryen (Game of Thrones) ou Lara Croft (Tomb Raider), um dos filmes de maior sucesso da história já trazia um contexto girl power em sua raíz que consegue surpreender até hoje. Você pode até não ter notado, mas o filme segue até hoje como uma das obras mais feministas da história do cinema.

No último ano tive a oportunidade de rever o primeiro Jurassic Park durante seu relançamento em 3D para IMAX. Fui com um amigo na sessão e, logo ao acabar o filme, me questionou sobre os símbolos feministas distribuídos ao longo de todo Jurassic Park. E comecei a pensar sobre tudo que cerca aquele universo e de como esta é, sim, uma obra com contexto feminista tão forte quanto o impacto de seus efeitos especiais, na época e até hoje.

Caso você não lembre o direcionamento em prol das mulheres começa desde o conceito de controle de natalidade dos dinossauros da Ilha. Basta pensar no que o biólogo que explica aos paleontólogos Alan Grant (Sam Neill) e Ellie Sattler (Laura Dern) sobre a criação dos bichos, afirmando que o ambiente inteiro da ilha é formado por dinossauros fêmeas. Então, logo na sequência, temos a inesquecível frase que marcará o restante do filme, dominado pelas mulheres, e só elas: 

"Deus cria os dinossauros, Deus destrói os dinossauros, Deus cria o homem, o homem destrói Deus, o homem cria os dinossauros." "Os dinossauros comem o homem, e a mulher herda a Terra", Dra Satler completando à afirmação do Dr Malcolm.

Basta agora fazer as contas. Quem são os primeiros a se machucar e sair de cena? O advogado e o matemático. Quem pega em armas, literalmente, quando todo o inferno se instala? Dra Sattler. O destino do caçador que cuidava das fêmeas de Velociraptor? Morto por uma delas logo após reverenciar a inteligência do bicho dizendo: "Garota esperta.". Um hacker infiltrado no Parque desliga todas as portas e cercas elétricas da ilha, e as melhores cabeças da equipe não conseguem decifrar o código que pode restabelecer a segurança do Parque. Todos homens. Quem, enfim, consegue salvar o dia religando trancas, telefones, cercas e demais dispositivos de segurança da ilha, uma menina. Sozinha. Logo depois de nocautear um Velociraptor com o truque do espelho na cozinha.

Em uma das cenas, o velho John Hammond (Richard Attenborough) chega a questionar a Dra Sattler sobre seu suposto papel de protege-la e se arriscar na mata. Ela não entra na discussão, só engatilha uma escopeta e convida para um bate-papo sobre sexismo mais tarde. Braddock, desculpe, você não sabe nada sobre sair pra guerra e saber que vai voltar já já. A mesma heroína interrompe Ian Malcolm (Jeff Goldblum) após ele sugerir que há imperfeições na mão da Dra, ao tentar explicar a teoria do caos pelo caminho da gota d'água.

Como poucas obras conseguiram, o filme consegue criar empatia com todos os seus personagens, que são pessoas reais (crianças são crianças, e agem como tal, por exemplo, cansadas, famintas, cheias de vivacidade, aterrorizadas e engraçadas), consegue incluir a entrelinha feminista que permeia toda a obra, passando ao largo de reiterar velhos preceitos heróicos de filmes de aventura. Aqui, não há resgate da mulher indefesa, ao contrário, ela é a força que movimenta a solução da crise inimaginável a quaquer pessoa, e que ninguém foi talhado a lidar. 

Na cena que talvez melhor explique o nível acima do raciocínio feminino deste filme, Dra Sattler, de novo ela, interrompe a viagem de Hammond dizendo o quão fora do controle ele sempre esteve: "Essa é a sua ilusão", para depois provar de novo do sorvete antes que tudo derreta. Ternura nunca perdida. E séculos de sabedoria resumidos em um segundo.

A ver, a produtora do filme Kathleen Kennedy, não por acaso, hoje é uma das mais poderosas de Hollywood, produzindo filmes como Sexto Sentido, os outros dois Jurassic Parks, Lincoln, tornou-se presidente da Lucasfilm, e hoje é produtora do novo Star Wars - Episode VII. 

6 de maio de 2014

Tom à la Ferme (Tom at the Farm) - Thriller psicológico na volta de Xavier Dolan

(Tom à la Ferme) Canadá, 2013
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Rapaz visita a família do namorado morto para o seu funeral e passa a ter contato com os familiares, que não sabem de sua orientação sexual, e os segredos que os rodeiam em toda cidade.

Xavier Dolan segue mostrando a que veio a cada filme. De sua estreia com Eu Matei a Minha Mãe (2009), até Amores Imaginários (2010) e recentemente Lawrence Anyways (2012), o diretor, hoje com 25 anos, segue ampliando suas experiências cinematográficas em campos cada vez mais distintos. Com Tom à la Ferme, Xavier se afasta pela primeira vez dos excessos visuais e narrativos que marcaram seus filmes anteriores, e entrega um filme linear, consistente e, por vezes, surpreendente.

No filme, Xavier vive o Tom, que dá nome à obra baseada na peça de Michel Marc Bouchard. Obrigado a visitar o interior do Canadá para estar presente ao funeral de seu namorado morto, Tom precisa administrar sua dor enquanto vai conhecendo mais a fundo a mãe e o irmão de seu ex-namorado. Aqui temos dois personagens marcantes, uma mãe carente e solitária que sofre a dor da perda e questiona a todo tempo porque seu filho se afastava cada vez mais dela antes de morrer, e Francis (Pierre-Yves Cardinal), irmão de seu ex, que já de início se revela um sociopata, aparentemente tentando proteger a mãe do trauma de saber que o filho era homossexual, mas aos poucos mostrando que guarda impulsos malignos lentamente apresentados a Tom.

A construção das cenas do longa já são o primeiro acerto de Dolan, que consegue ir dispondo os elementos que marcarão as descobertas de Tom sobre aquela família a medida que vai conhecendo outras personagens da cidade. Quando as revelações começam enfim a aparecer, já temos um quebra-cabeças inteiro previamente montado, pronto a revelar uma imagem estranha e distorcida de uma tradicional família do interior e do passado que marca suas vidas dentro da cidade.

Todo o filme mostra muitas vezes uma influência de Hitchcock, desde as decisões da edição, essencial à conclusão de toda a história e marcação do clima crescente de suspense, até a trilha sonora, que se apresenta em cenas aparentemente irrelevantes, mas revela que nelas teremos informações valiosas. Aqui, a fotografia também ajuda a mostrar, com cores opacas, que a vida naquela casa de interior se esvai aos poucos e cada morador, à sua maneira torta, tenta se prender ao passado ou fugir das verdades que não querem enxergar.

Vá sem receio, querido pipoqueiro. Temos neste Tom at The Farm um Xavier Dolan mais sóbrio, maduro e, novamente, prendendo nossa atenção sem apelar para soluções de impacto esvaziadas de sentido. Deixe-se levar pela jornada de Tom, mas sem deixar de prestar atenção ao que o rodeará na viagem.

5 de maio de 2014

Robocop - Robôs ou Humanos Exercendo a Lei?

(Robocop) EUA, 2014
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Em uma Detroit do futuro, a criminalidade chega a níveis preocupantes, invadindo a polícia e grandes corporações. O policial Alex Murphy lidera as investigações de venda de armamento da polícia a gangues da cidade, mas ao sofrer um atentato é transformado em um policial robô criado pela super corporação OCP. No entanto, o equilíbrio humano-máquina se mostra frágil e o domínio da corporação sobre suas ações criam um risco para o próprio policial e sua família.


As expectativas eram altas. Os riscos também. O novo filme de José Padilha depois do fenômeno 'Tropa de Elite 2' (2010), e primeiro do diretor em Hollywood, por si só já era um desafio daqueles: trazer para os novos tempos a história do clássico de 1988 dirigido por Paul Verhoeven, atualiza-la e manter o equilíbrio entre o conflito do policial confinado em um corpo robótico, a crítica política e às grandes corporações, embalando tudo em um grandioso (e sanguinário) filme de ação. Robocop on steroids!

O problema foi pegar aquele material e trabalhar com liberdade que o estúdio, provavelmente, não permitiu. A crítica política está lá, mas mais suave e inofensiva que o debate levantado, por exemplo por qualquer um dos Tropa de Elites, ou filmes anteriores do Padilha. O tempo, no entanto, é mais investido no drama do policial Alex Murphy (Joel Kinnaman) e numa discussão interessante. O Robocop é, acima de tudo, o produto de uma empresa, exercendo a lei que, até aquele momento, era feito por humanos. O controle tecnológico sobre o policial, que pode perder sua humanidade ou memórias de seu passado a bel prazer dos cientistas liderados pelo Dr. Dennett Norton (Gary Oldman) o torna mais ou menos apto a refletir com velocidade sobre o infrator, sua pena e a medida de punimento a ser adotada em campo. Logo, quem é responsável por responder às ações deste robô: a máquina/empresa por trás, ou o humano que nela vive?

Quanto mais tempo ele levar para tomar suas decisões em um conflito (diferença de segundos) menos comercial ele se torna, se comparado aos robôs utilizados pela OCP em zonas de conflito no oriente-médio. O problema daqueles robôs, no entanto, é que não são carismáticos o suficiente pela falta de um elemento que fale mais alto ao público, no caso, humanidade. A galinha dos ovos de ouro OCP torna-se então, um policial meio robô, meio humano.

Eis que entra Alex Murphy, ou partes dele, quando após um atentado é transferido para dentro do robô dotado de vários dispositivos online, capazes de torna-lo praticamente onipresente quando sai a caça de criminosos, podendo acessar câmeras de segurança de toda a cidade, gerar rotas em mapas e associar suspeitos procurados com seus outros parceiros. Mas é nesse capacidade que também começam a surgir podres dentro da própria corporação à qual o policial se dedica.

Junte-se a isso um apresentador extremista pró-robô que reforça a cada aparição de seu programa, o absurdo de não se utilizar robôs dentro das forças policiais dos Estados Unidos. Com discurso ufanista pesado, ele lança farpas ao congresso e opositores dos robôs, chamando-os até de robofóbicos. Uma farra só.

É um filme de ação, e todas as cenas estão lá, com câmeras se movimentando por longos espaços sem cortes, muito tiro e mortes de mentirinha, já que o Robocop usa mais tasers que bala para imobilizar inimigos. Outro ponto marcante aos saudosistas é a trilha sonora do original que retorna e enche de alegria aos corações dos fãs. Mas que talvez tenha faltado aqui foi carisma. Em nenhum ponto estamos realmente preocupados com o conflito do homem dentro da máquina, que renderia excelentes segmentos. E quando acontecem, são ralos e sem emoção alguma.  O fascínio e alcance da obra original aqui se perdem, ficando somente a tentativa sincera de, pelo menos, não estragar tudo que o original um dia se propôs. O difícil é determinar se, por força do estúdio, Padilha não pode mostrar mais a que veio, já que sabemos bem sua técnica, talento e direções certeiras dos filmes anteriores.

4 de maio de 2014

Especial Parada LGBT: "Praia do Futuro" reflete sem pressa sobre medo e aceitação

(Praia do Futuro) Brasil, Alemanha, 2014
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Salva-vidas da Praia do Futuro, em Fortaleza, passa a questionar seu papel e reais habilidade após uma tragédia com turistas no mar. Ele acaba conhecendo um dos estrangeiros envolvidos no acidente, e entra em um relacionamento que o fará questionar o medo, em inúmeras camadas de sua vida.


Louvemos, amigos pipoqueiros! Karim Ainouz está de volta. O diretor de Céu de Suely (2001), Madame Satã (2002), e roteirista de Cinema, Aspirinas e Urubus (2005) desta vez traz um longa sobre medo, aceitação e fuga. A história começa na terra natal do diretor, Fortaleza, e oferece um discurso sem pressa para acontecer, ainda que os trailers e imagens dêem a ideia de que será algo mais próximo de um filme de ação movimentado.

Em 'Praia do Futuro', Wagner Moura, sensacional, vive Donato, salva-vidas de uma das praias mais perigosas de Fortaleza (sim, já morei lá, a Praia do Futuro de fato é tensa) que passa a sofrer a angústia de, pela primeira vez, não ter conseguido evitar uma tragédia no mar, ao mesmo tempo em que entra em um relacionamento com o alemão Konrad (Clemens Schick), também envolvido no acidente.

Sem aviso, o filme já nos mostra a força com que ambos começam um relacionamento que irá definir os próximos anos da vida do salva-vidas. Tal caminho irá, também, causar o rompimento das relações de Donato com seu irmão Ayrton (vivido pelo garoto Savio Ygor Ramos, carismático como poucos, e Jesuíta Barbosa, na fase adolescente). Logo nas primeiras interações dos dois irmãos em tela, vemos o papel de Donato na vida do garoto, e de como os dois encaram seus medos, enquanto Donato, questiona o irmão sobre a morte, este mostra desde cedo que sua coragem e fidelidade ao mais velho não encontram barreiras. O filme não é panfletário ao mostrar o relacionamento de Donato com Konrad, nem é tímido ao mostrar cenas de sexo gay. Ele se propõe a explorar outras nuances deste relacionamento, o que não significa que o conflito de Donato, que chega a se isolar completamente da família em outro país, não seja também pela inabilidade de aceitar ou lidar com sua homossexualidade. Fato que, no terceiro e último segmento do filme, é questionado pelo irmão mais novo.

O filme pode não agradar a todos os gostos, justamente pelo ritmo e longas pausas, em que o diretor parece deixar na mão do público a tarefa de pensar sobre o ponto de vista das personagens e seus conflitos. Mas é definitivamente uma experiência que vale a pena ter. Além de poder testemunhar novamente a força da atuação Wagner Moura, excelente no filme, e Jesuíta Barbosa, que do início ao fim vai com sangue nos olhos tornando Ayrton, um adolescente com inúmeros conflitos e contas a ajustar, na personagem mais interessante de todo o filme.

O filme estreia em 15 de Maio nos cinemas.

3 de maio de 2014

Atividade Paranormal: Marcados Pelo Mal - Forçação de Barra ao Expandir o Universo do Original

(Paranormal Activity: The Marked Onesl) EUA, 2014
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Trio de amigos do subúrbio de Los Angeles passa a enfrentar forças malignas, que podem estar surgindo a partir da casa vizinha, onde uma suposta bruxa vive escondida de todos. No entanto, ela faz parte da mesma seita de mulheres vista nos filmes anteriores da série.


Atividade Paranormal é uma das minhas séries de terror favoritas. E como a maioria delas, não deveria ter passado do terceiro filme. Este 'Marcados Pelo Mal' inclusive nem se inclui na contagem numérica dos filmes anteriores, ganhando apenas o subtítulo que já mostra ser um tipo de spin-off da série original.

Logo no início, o formando colegial Jesse (Andrew Jacobs) dá um breve discurso sobre a importância de mudanças e novos caminhos. A partir daí já sabemos que as amarras se perderam e tudo que dava liga entre os filmes anteriores se foi. E assim começam os problemas, tanto na vida dos protagonistas, quanto no filme. A começar pela justificativa de introduzir câmeras de mão, algo que, nos filmes anteriores, sempre tem contextos por vezes criativos, como webcams de computadores, circuitos internos de tv, testes de câmeras nos anos 80, aqui vem do nada.

Espírito brother: O 'espírito', 'presença' ou cururu que se apresenta a Jesse, começa suas interações na brodagem. Em uma sequência de cenas bem-humoradas, Jesse mostra ao amigo as proezas que começa a ser capaz de realizar depois de uma noite brincando de invocar o capeta dentro de uma igreja. Troféu joinha pela péssima ideia, das personagens e dos produtores. As cenas lembram versões capengas do genial 'Poder Sem Limites' (Chronicle, 2012). Mas Atividade Paranormal nunca, e eu repito, nunca mostrou o espírito maneirão, sendo sempre assustador desde as primeiras interações, levando a um clima de tensão crescente.

Neste 'Marcados Pelo Mal', quanto mais forte o espírito se torna, mais vamos conhecendo detalhes que ampliam o enredo construído pelos primeiros três filmes. Para evitar spoilers, digamos que após as descobertas deste filme, podemos facilmente esperar uma série de novas histórias com o selo 'Atividade Paranormal' paralelas às que contam a vida das duas irmãs protagonistas anteriores. Assim, o filme se afasta do material em que se baseou para criar uma intriga com alcance global, indo contra o drama doméstico de gente comum lidando com o pior ser sobrenatural que as trevas poderiam brindar uma casa. O problema é que, ao fazer isso, ele também se afasta do seu público, transformando tudo em uma fantasia de grandes proporções, ignorando que o que aterrorizou plateias no filme original era, por vezes, a simplicidade de uma mecha de cabelo se movendo em ambientes fechados (pobre Katie, guerreira).

Claro que a obra ainda se chama  'Atividade Paranormal' por algum bom motivo, e na maior forçada de barra de todas, as duas tramas (deste com o primeiro filme) se unem, numa cena que, mesmo começando errada, agrada de início, até que se torna uma grande vergonha alheia. Isso em menos de dois minutos.

Mas nada tema, querido leitor fã assim como eu, a minha pouca curiosidade e expectativa de -1 para assistir a este filme ainda permitiram bons momentos que, na distância, lembram porque estes filmes são assombrosos. A treva é que são as mesmas cenas prontas para funcionar dos filmes anteriores e até de outros similares, como 'REC' (o espanhol, por favor, não o remake americano 'Quarentena').

Como opção para os pipoqueiros que ficam em casa com os amigos no final de semana, recomendo (já está disponível em DVD e Blu-Ray) mas, ainda assim, uma maratona de 'Atividade Paranormal' 1, 2 e 3 segue sendo mais atraente.



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